A MENTE SOBRE O CORPO

Quando fui convidada a participar no Beauty Beyond Size, um projecto criado pela linda Sónia do She Writes que tem como principal objectivo a promoção do amor próprio e da aceitação corporal, sabia que tinha que participar, de alguma forma que me fosse muito próxima e pessoal. Depois de partilhar a minha história aqui, não sabia aquilo que poderia acrescentar a uma temática que, para mim, é uma luta diária a nível psicológico. Foi aqui que me apercebi daquilo que ficou menos bem explorado nessa publicação e que, portanto, queria falar: a forma como o nosso pensamento influencia a forma como nos vemos.


A primeira vez que olhei para as fotografias ilustrativas desta publicação, ainda no mostrador da câmara fotográfica e num tamanho bastante reduzido, achei que estavam incríveis. Era das poucas vezes que me via de fato-de-banho, em fotografia, e que adorava o resultado. Sentia-me mesmo bem comigo e com o meu corpo! Mas, assim que cheguei a casa e comecei a olhar de novo para as fotografias, comecei a ver todos os defeitos que elas tinham - a celulite no rabiosque que tende a não desaparecer, a barriga proeminente, as gorduras localizadas, as coxas interiores demasiado grandes, as minhas olheiras, etc - e todos estes defeitos consumiram a minha visão das fotografias. Já não conseguia olhar para elas e sentir-me bem e, consequentemente, já não conseguia sentir-me bem com o meu corpo.


Este é um pequeno exemplo daquilo que é a minha vida todos os dias. Uma inconstância de pensamentos e emoções. Num momento, uma bomba latina. Noutro momento, um saco de batatas. Isto numa questão de segundos e sem nenhuma razão em especial - por influência da amiga que é mais jeitosa do que eu, de uma palavra que foi mal interpretada ou de uma fotografia de uma qualquer rapariga em biquíni que vejo enquanto faço scroll no instagram

Tudo porque o meu cérebro funciona como uma bomba-relógio, pronta para explodir a qualquer momento. A minha mente sempre controlou a cem por cento aquilo que eu vejo no espelho - apesar da minha figura não mudar de um dia para o outro, aquilo que se reflete muda e, nos meus piores dias, a imagem distorcida de um corpo maior do que é na realidade aparece no espelho - e, portanto, também o meu amor-próprio se altera de acordo com aquilo que estou a sentir no momento.


Não tenho, de todo, amor-próprio para dar e para vender. Se pudesse metaforizá-lo, diria que é uma chama dentro de mim pronta para acender uma fogueira, mas só precisa de um bocadinho mais de atenção e carinho. E é esse carinho, essa atenção para a qual estou a alertar-vos hoje.

Uma boa mente saudável deve ser a vossa maior prioridade. Porque, a partir daí, conseguimos conquistar o mundo. A partir do momento em que deixa de existir a tal bomba-relógio na vossa cabeça, conseguirão focar-se muito melhor nos vossos objetivos e ficarão muito mais motivados para se tornarem a melhor versão de vocês mesmos - involva esta versão emagrecerem, engordarem ou manterem-se iguais. O que importa é que se sentirão bem com aquilo que escolherem fazer e que, independentemente do resultado final do vossso percurso, aquilo que vos é dado e com que partem para esta caminhada é algo bom, algo que vocês consideram bonito.


Não é o valor na balança que define aquilo que nós somos. É a nossa força mental que define o que somos. Se eu acreditar que estou bem como sou, que sou bonita e que está tudo bem com o meu corpo, então está tudo bem com o meu corpo. Está na altura de aceitarmos aquela gordura localizada, as olheiras mais profundas, as estrias, as sardas - as pequenas falhas que fazem de nós aquilo que nós somos. Se fossemos todos iguais, o mundo seria um lugar muito aborrecido. Há que celebrar a variedade e a diversidade. Temos que deixar de apoiar as outras meninas na sua jornada de amor-próprio e, simultaneamente, inferiorizarmo-nos. Há que caminhar com elas, não na direção contrária.

Este é um processo que exige tempo e que não se consegue de um dia para o outro, claro. Apesar de vos estar a aconselhar, também eu estou a tentar mudar a forma como vejo o meu corpo e a forma como trato o mesmo. Temos que treinar o nosso cérebro a ignorar os pensamentos negativos, os tais "defeitos", ensinar-lhe que aquilo que aparece refletido no espelho são vocês, que é muito bonito e que vale a pena. Evitem a auto-depreciação, as pessoas que trazem más energias para a vossa vida e rodeiem-se de quem vos quer ver bem. Escolham um mantra cheio de positivismo e repitam-no até acreditarem naquilo que ele diz. Afinal de contas, só temos este corpo e temos que o estimar da melhor maneira possível.


Achei que a melhor forma de celebrar esta mudança de pensamento, ou este marco na minha caminhada rumo a uma mente que transborda de amor próprio seria mesmo partilhar estas fotografias com este fato-de-banho lindo que me foi enviado pela Zaful - que podem encontrar AQUI - e que me levaram a escrever esta pequena reflexão. Com bastantes defeitos e com algumas coisas que gostaria de ter alterado mas que, no final de contas, são parte de mim.

Quem está comigo nesta caminhada rumo ao amor-próprio?

SÉRIES // THIS IS US

Não sei se vocês fazem o mesmo, mas quando sei que uma série vai ser boa costumo adiá-la o máximo que consigo. Deixo andar, vejo outras que sejam medíocres e vou-me contentando com as mesmas. Fiz isto com Breaking Bad - que não acabei ainda porque não tenho coragem para terminar algo tão bom - e com diversas outras séries que, tal como previra, se revelaram para lá de excelentes. Desde que vi o anúncio na Fox Life de This is Us, sabia que seria boa. Depois tive a comprovação - uma amiga viu e recomendou-me vivamente. E eu adiei, adiei e voltei a adiar... até há 3 dias atrás.

Esta série conta a história de 4 pessoas que partilham a mesma data de nascimento e que integram a mesma família - os gémeos Kate e Kevin, o Randall, irmão adotivo deles desde o dia do seu nascimento e Jack, um dos progenitores e pilares desta família - desde o momento de que os pais os conceberam até ao seu 36º aniversário, com todas as amarguras, revelações e amizades que a vida lhes proporcionou.


Esta série tem uma narrativa simples, um elenco modesto, cenários e figurinos nada elaborados mas, ainda assim, conseguiu conquistar a minha atenção desde o primeiro momento. A alternação entre o passado - com a história dos pais e do crescimento dos filhos - com o presente - onde os acontecimentos são intensos e as revelações são muitas  - está feita de uma forma soberba, com o cruzar daquilo que acontece no presente com aquilo que já aconteceu semelhante no passado. Isto cria alguma dinâmica, que faz com que a série não seja nada monótona. Ao longo dos episódios vamo-nos relacionando cada vez mais com as personagens e com as suas histórias e, pelos episódios finais, a não ser que sejam feitos de pedra, preparem-se para uma valente choradeira ou, pelo menos, para uma lágrima no canto do olho. 

As personagens desta família são todas autênticas pérolas preciosas, com algo único e muito especial a acrescentar à história. Não é difícil, de todo, apaixonarmo-nos pela paixão do Jack, pela bondade do Randall, pelo sonho da Rebecca, pela perseverança da Kate ou pela lealdade do Kevin - cada um deles tão diferente mas tão igual, não fossem eles todos relacionados entre si. São personagens muito fortes, ricas, genialmente interpretadas por cada um dos atores do elenco - com a qual fiquei agradavelmente surpreendida - e que mostram que nem todos somos perfeitos e que, por trás de qualquer ação, existe uma história que nós podemos não conhecer. 

Acho que, depois de traçar todos estes elogios a esta série, será de esperar aquilo que vou concluir - recomendo vivamente que vejam esta série. Especialmente aos românticos incuráveis, a quem gosta de histórias reais, sem grandes exageros e àqueles que procuram algo mais sério. Pura, dura e crua. É uma excelente forma de descrever esta história que nos deixa com um aperto no coração e com a sensação agridoce de estarmos felizes e tristes ao mesmo tempo. A primeira temporada não tem o final mais feliz, mas nem sempre a vida o tem e temos que aprender a lidar com isso.

"There's no lemon so sour that you can't make something resembling lemonade"

Já conheciam esta série? Gostam de séries assim, mais emotivas?

TRAVELLING // PALÁCIO NACIONAL DA PENA

Neste ano, quando começámos a ponderar o destino das férias de família, decidimos que queríamos, ao contrário de anos anteriores, conhecer um sítio novo. Como, apesar de eu e da minha irmã já conhecermos uma boa parte de Lisboa, decidimos que seria um bom destino para passear um pouco, uma vez que o meu pai não conhecia grande parte da nossa capital. Rumámos então à capital, sem qualquer plano traçado e apenas com uma pequena ideia daquilo que queríamos visitar - que, apesar de não ser a minha forma favorita de viajar, acabou por resultar a cem por cento.


Acho que é mais do que óbvio que sou uma grande apaixonada por Sintra - como já dei a entender nesta publicação exclusivamente dedicada a esta cidade mágica - mas, por uma grande falha minha, nunca tinha visitado aquela que é a principal atração da cidade: o Palácio Nacional da Pena. Depois de muito debate sobre onde deveríamos ir - haverá, por aí, família mais indecisa do que a minha? - decidimos visitar então este Palácio, cheios de expectativas. 

ACERCA DO PALÁCIO

Decidimos começar por aquilo que me chamava mais a atenção neste local: o palácio, no seu exterior e no seu interior. Nos seus tons amarelos, arroxeados e vermelhos, é sem dúvida imponente e esteticamente apelativo.

Com influências arquitectónicas manuelinas, este monumento mostra o romantismo característico da época, enfatizando o nome dado a esta cidade - considerada por muitos a cidade do romance e da magia em Portugal.



No seu interior, podemos ver os aposentos privados do rei D. Carlos I e de D. Amélia, assim como as salas de estar deles, os quartos dos camareiros e senhoras de companhia, as cozinhas e as salas de lazer. Com os tectos bastante ornamentados - seja esculpidos ou com pinturas extravagantes - e as salas decoradas a primor com peças do século XIX e XX, é um deleite passearmos pelos corredores deste Palácio e apercebermo-nos de que o que na altura era luxuoso, para nós é algo absolutamente normal - aliás, existem cortinados lá que são muito idênticos àqueles que tenho em minha casa!




A minha parte favorita de todo o Palácio foram varandas incríveis que apresentavam uma vista tanto sobre o próprio Palácio, permitindo-nos apreciar a arquitectura e o detalhe com que esta obra foi feita, o belo Parque da Pena, com toda a sua verde vegetação que se estende por longas léguas e que nos aumenta o contacto com a Natureza e ainda a bela vila de Sintra. Além disso, como fomos num dia de muito nevoeiro, este dava uma aura misteriosa ao Palácio; como se, a qualquer momento, uma criatura de um universo mágico paralelo fosse aparecer pelo Parque. E isto tornou a experiência ainda mais mágica - o que nos é prometido e cumprido sempre que vamos a Sintra e aqui não poderia ser excepção.

ACERCA DOS JARDINS

Depois de visitarmos o palácio, já estávamos um pouco cansados mas ainda assim corremos pelo menos dois terços dos Jardins da Pena. Começámos pelo local que, segundo a opinião geral, valia mais a pena - a Cruz Alta, o local mais alto da Serra de Sintra. Este local revelou-se uma desilusão porque, como já mencionei, estava nevoeiro, e portanto não conseguimos apreciar a vista que nos era prometida.

Seguimos pela Lagoa das Conchas, uma pequenina lagoa soalheira e rumámos para o Jardim das Camélias, que era o local no jardim que mais me fascinava. Mais uma vez, fiquei um pouco desiludida porque as camélias não estavam nos seus melhores dias - talvez não seja a época destas belas flores. Mas, ligeiramente ao lado, descobri algo que me deixou a suspirar. A Estufa Quente, tal como o nome indica, é uma estufa para plantas que necessitam de temperaturas mais amenas e que, apesar de não podermos visitar o seu interior, me deixou apaixonada pelo seu aspecto.


Por fim, e como já estava a ficar um pouco escuro e extremamente frio, decidimos acabar no Vale dos Lagos, constituído por cinco lagos que confluem uns nos outros e que são ligeiramente diferentes. Dois deles tinham peixes gigantes - juro, peixes de tamanho anormalmente grande - e os restantes tinham uns passos bastante engraçados.

Existem bancos espalhados por todos os cantos do jardim para podermos fazer uma pausa, comer qualquer merenda que tenhamos levado connosco na sombra de todas aquelas árvores, tal e qual os príncipes de outros tempos e aproveitar o contacto com a Natureza. Apesar de ter achado jardins muito bonitos, confesso que os da Quinta da Regaleira me encheram mais as medidas e, se não fosse o Palácio em si, não recomendava a visita.


Acabámos a tarde a comer uma queijada e um travesseiro na Piriquita, a icónica pastelaria da área, que acabou por ser o final ideal para esta tarde bem passada.

Se recomendo a visita ao Palácio? Recomendo, nem que seja uma vez na vida. Os preços não são convidativos - 14 euros um bilhete de adulto -, e, já que estamos a ser sinceros, são sobrevalorizados; ainda assim, não deixa de ser uma visita bonita e confere uma vista sobre a cidade ímpar. Passa-se lá facilmente uma tarde bastante agradável e sentimos o tempo a voar, sem sombra de dúvida. Aconselho-vos a evitarem dias muito nublados - aprendi com o erro - para poderem apreciar as paisagens que o Palácio e os seus Jardins têm para oferecer.

[As fotografias desta publicação foram tiradas com o meu telemóvel porque, apesar de ter tirado imensas fotografias com a minha máquina e a maior parte delas, modéstia à parte, estarem incríveis, parti o cartão de memória ao meio e perdi todas as fotografias que lá tinha - o pesadelo de uma blogger aconteceu - e, portanto, fiquei sem fotografias para as próximas 4 publicações que já tinha planeadas. Peço, em antemão, desculpa pelas fotografias das publicações das férias terem uma qualidade inferior ao habitual.]

Já visitaram o Palácio da Pena? O que acharam?
Com tecnologia do Blogger.
My Own Anatomy © , All Rights Reserved. BLOG DESIGN BY Sadaf F K.